Associação Brasileira de Planetários – ABP Fóruns Planetaristas Mapas e proporções geográficas

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  • Luiz Claudio
    Forista
    Número de postagens: 7
    #6984 |

    Seguindo a recomendação do José Roberto coloco o post aqui para que receba as devidas contribuições dos demais colegas.
    Recentemente duas publicações do G1 sobre o assunto de mapas e proporções geográficas ganharam destaque e compartilho os links abaixo:
    http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/11/o-criativo-mapa-que-mostra-o-mundo-como-realmente-e.html
    http://g1.globo.com/educacao/noticia/escolas-publicas-de-boston-adotam-mapa-que-corrige-500-anos-de-distorcao.ghtml

    Como argumento nos posts do whatsapp, não é apenas o caso de ordem técnica sobre proporções físicas e projeções, que seria a leitura imediata, que estes mapas proporcionam, mas o impacto ideológico que podem causar. Ainda que conscientemente possamos comparar valores territoriais para dizer quem é maior ou menor, o resultado que uma leitura visual proporciona vai além da questão numérica, e isso pode ser utilizado de modo ideológico. Como é o caso da imagem que também postei sobre a representação da visão medieval sobre a figura humana e seu entorno, fortemente ligada à uma ideologia religiosa. Vejam o exemplo no link:
    http://s3images.coroflot.com/user_files/individual_files/original_404808_tiwZUCugKNS1c1M5JSdffIbXu.jpg

    Todos sabiam, e ainda sabem, que as proporções estavam erradas, mas ainda assim a mensagem ideológica era passada.
    Mas hoje temos outros desafios. Acredito que muitos de vocês não estavam presentes em uma reunião da ABP ocorrida em Florianópolis, por volta de 2002, se não me engano. Uma das discussões na época era uma revisão que estava ocorrendo nos livros didáticos, incluindo o conteúdo de astronomia. Todos rimos do comentário de um colega que estava participando do processo quando disse que em vez de utilizar a tradicional imagem do menininho lourinho, com os braços estendidos, olhando para o Norte para localizar o Oeste a sua esquerda e o Leste a sua direita, foi utilizado um menino moreno, olhando para o Sul, com os braços estendidos apontando para sua direita o Oeste e o esquerdo para o Leste. Como resultado dessa mudança de representação, a editora recebeu várias cartas dos professores protestando que o menino estava olhando para o lado errado, e reclamando até da cor do menino.
    Portanto, não podemos subestimar o valor ideológico e cultural que uma imagem pode, consciente ou inconscientemente, suscitar.

    RobertoRoberto
    Mestre
    Número de postagens: 8

    Uma vez fiz uma sessão de planetário “ao vivo” (só foi exibida uma vez) em que mostrava a Terra com a extremidade sul da América do Sul apontando na direção do zênite da cúpula.

    O planeta ia se aproximando lentamente, enquanto eu falava sobre a Terra (sem me referir em momento algum aos países). No final da apresentação, muitos falaram que havia um erro na sessão, que tinha sido muito boa EXCETO pelo fato da Terra ter sido exibida “de cabeça para baixo”!!

    Foi de propósito, falei, para mostrar que no espaço não existe em cima e embaixo. Mas não adiantou. Até os professores reclamaram que esse tipo de representação poderia confundir os alunos!

    Gostaria que mais pessoas comentassem esse tópico! Alguém já passou por experiências semelhantes? Acha que novos mapas podem mudar o valor ideológico que transmitem?

    Abraços,
    Roberto.

    Luiz Claudio
    Forista
    Número de postagens: 7

    Acredito que, como muitos outros, certos hábitos e vícios só podem ser mudados com o esforço e a dedicação. Na reunião da ABP realizada em Santo André, Calil argumentou com o Cherman que o público não aceitava ir ao planetário e assistir a um vídeo sobre assuntos de astronomia e astronáutica. Que o projetor planetário tem, obrigatoriamente, que ser utilizado e mostrar estrelas e planetas. Cherman retrucou que no Rio, muito tempo atrás também era assim, e que necessitou certeza do que estava fazendo e coragem para defender o que acreditava ser o correto. Enfrentar as críticas com convicção e persistência. Mas a resistência foi vencida. O Planetário não deixa de se-lo se o projetor planetário não é utilizado. Não é isso que define um planetário, mas apenas um de seus recursos. A astronomia e as demais ciências não param nele, mas vão além. Precisamos sair de um paradigma estagnado e que propaga, ainda que sem querer, ideologias errôneas e más interpretações. Temos que ter essa coragem sem medo do enfrentamento.

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